Alguns designers parecem dominar o mundo silenciosamente. É o caso do saudoso norte-americano Saul Bass. Você pode não conhecê-lo, mas certamente conhece seu trabalho. Sua obra pode ser vista na televisão, DVDs, aeroportos, supermercados, revistas, esquinas, toda parte. Sua genialidade está impressa em pôsteres de cinema, créditos de filmes clássicos, logomarcas de empresas multinacionais e postos de gasolina. Fora os muitos imitadores de sua arte. Conheça ou relembre um pouco da obra de Saul Bass:
Saul Bass ficou conhecido primeiro pelos pôsteres de filmes. Este aqui é de O Homem do Braço de Ouro (1955), de Otto Preminger. Como o filme trata de um personagem viciado em heroína, o cartaz foi um pouco chocante para a época, pois a figura do braço, associado à droga injetável, não disfarçava nem um pouco o tema da história.
Pôster do filme Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock, freqüentemente apontado como um dos melhores cartazes de todos os tempos.
Outra outra-prima dos pôsteres de cinema: o cartaz do filme Anatomia de um Crime (1959), de Otto Preminger. Com trabalhos assim, Bass ajudou a criar a identidade visual dos anos 1950.
O pôster de Amor, Sublime Amor (1961), de Robert Wise. Os créditos de abertura do longa, que mostram a ilha de Manhattan vista de cima, também foram concebidos por Bass.
Saul Bass gostava dos ângulos e linhas retas (ou quase), mas também sabia usar as curvas, como neste pôster, do filme Amigos São para Essas Coisas (1971), de Otto Preminger.
A fonte utilizada em muitos dos pôsteres de Bass, hoje chamada de Hitchcock, também é uma de suas marcas registradas, presente neste cartaz de Bom Dia, Tristeza (1958), de Otto Preminger.
Este pôter de Bass para O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, não é tão utilizado quanto o que mostra o rosto de Jack Nicholson, mas é igualmente marcante e menos óbvio. A parceria de Bass com Kubrick começou em Spartacus (1960), filme cuja seqüência dos créditos iniciais é assinada pelo designer.




O cineasta Otto Preminger gostou tanto do pôster que Saul Bass fez para seu filme O Homem do Braço de Ouro (1955) que o convidou para desenhar também os créditos iniciais do longa. Acima, você vê parte do resultado. O trabalho é simples, elegante e provocador – as linhas brancas penetram a tela preta como agulhas, uma referência ao vício em heroína do personagem principal. Clique aqui para assistir!






O diretor Otto Preminger foi um dos mais freqüentes parceiros profissionais de Saul Bass. Aqui você vê imagens dos créditos de Anatomia de um Crime (1959), inconfundíveis, feitos por Bass. Assista aqui!






A cena inicial de créditos criada por Saul Bass para o filme Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock, mostra uma série de linhas paralelas, que depois se revelam desenhadas a partir da fachada de um edifício moderno, espelhado, que reflete os carros de uma rua com tráfego intenso. Clique aqui para assistir!






Antes de Saul Bass, quase ninguém prestava atenção aos créditos iniciais de um filme. Em muitos cinemas norte-americanos, as cortinas só se abriam para revelar a tela depois que os créditos já tivessem sido exibidos. Saul Bass mudou isso com sua genialidade. Ele fez dessa cena inicial uma possibilidade de expressão estética e uma introdução relevante à história, criando climas ou transmitindo idéias. É o caso da abertura que ele fez para Um Corpo que Cai (1958), filme de Alfred Hitchcock, dramática, cheia de suspense e com referências à vertigem de que sofre o personagem principal. Veja aqui!


Os créditos que Saul Bass fez para Quanto Mais Quente Melhor (1955), de Billy Wilder, transmitem, logo de cara, a leveza do filme que se inicia. Relembre aqui!






Nos créditos iniciais de O Segundo Rosto (1966), de John Frankenheimer, Saul Bass mostra closes de orelhas, olhos e outros detalhes de um rosto, em referência a um dos temas do filme, a cirurgia plástica, e também para mostrar que, de muito perto, o ser humano é feio. A distorção das imagens pretende refletir a distorção da mente de quem pensa em alterar completamente sua fisionomia. Assista clicando aqui!









Saul Bass inovou em A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956), de Michael Anderson. Para esse filme, ele criou uma seqüência de créditos para ser exibida no final, tão graficamente rica que ninguém conseguia ir embora do cinema antes que os créditos tivessem sido exibidos. O recurso era inédito e é copiado até hoje por muitos cineastas. Essa seqüência de Bass resume o filme inteiro apenas com desenhos, que chegam até a esclarecer algumas situações. Assista aqui!






Os créditos iniciais de Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, são indissociáveis da música tema do filme, composta por Bernard Hermann. Toda a movimentação na tela é casada com a música. Clique aqui para assistir.

A participação de Saul Bass em Psicose foi muito além da cena dos créditos. O designer simplesmente concebeu a maneira como foi filmada a clássica cena do chuveiro, desenhando-a inteira em storyboard antes das filmagens. Bass chegou até a divulgar por aí que foi o verdadeiro diretor da cena, informação menosprezada por Hitchcock e questionada pela atriz Janet Leigh.
Saul Bass também se notabilizou pela criação de logomarcas que se tornaram célebres. Acima, você vê algumas delas: 1 – Quaker (1971); 2 – Kleenex; 3 – United Airlines (1973); 4 – Warner Communications (1972); 5 – Bell (1969); 6 – AT&T (1984); 7 – Continental Airlines (1968); 8 – Avery International (1990); 9 – Minolta (1978); 10 – United Way (1972).
Saul Bass também é o responsável pelo design dos postos de gasolina Esso/Exxon, onipresentes no mundo inteiro.
TRABALHOS INSPIRADOS NA OBRA DE SAUL BASS:
O design de Saul Bass não apenas fez história, mas também continua sendo admirado e imitado em toda parte. Abaixo, seguem apenas alguns exemplos mais famosos de peças de design assumidamente inspiradas no mestre:
Pôster do filme Irmãos de Sangue (1995), de Spike Lee
Pôster do filme Nó na Garganta (1997), de Neil Jordan
Pôster do filme Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1999), de Guy Ritchie
Pôster do filme Queime Depois de Ler (2008), dos irmãos Joel e Ethan Cohen
Site de The Key to Reserva, maravilhoso comercial do vinho Freixenet dirigido por Martin Scorsese. Não viu ainda? Então clique aqui para saber mais detalhes e ver, porque é incrível!



Abertura da telenovela A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro. Clique aqui para ver!
