O projeto era promissor: o ótimo Chico Diaz interpretando texto de Campos de Carvalho em monólogo. Mas o resultado deixou a desejar. A melhor coisa da peça A Lua Vem da Ásia, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, é mesmo sua prosa surrealista e nonsense, que nem foi escrita originalmente para teatro. Neste caso, a experiência de ler o livro é mais prazerosa e completa.
O texto começa com o narrador-personagem contando que assassinou seu professor de lógica em legítima defesa. Daí parte sua montanha-russa de relatos desconexos e curiosos, que fazem crer ser ele um homem cuja sanidade foi perdida em algum ponto de sua trajetória acidentada. Ou seria ele um baluarte de lucidez neste mundo louco? É um texto difícil, mas que dá ao ator a oportunidade de brilhar. No entanto, a interpretação de Chico Diaz soa monocórdia, não dá conta da enorme variedade de experiências vividas pelo personagem.
Chico Diaz tem cacife para encantar as plateias em um papel como esse, mas a direção de Moacir Chaves não o ajuda em nada na empreitada. Metade do espetáculo é adornado por projeções de vídeo que ocupam toda a boca de cena, mas que não acrescentam nada à peça, além de anular a luz sempre bonita e cuidadosa de Renato Machado. A trilha sonora de Alfredo Sertã atrapalha a concentração do espectador, por ser ela quase onipresente. O cenário de Fernando Mello da Costa é bonito, adequado e eficaz na primeira parte de A Lua Vem da Ásia, mas mal resolvido, por causa da incômoda presença do cenário reservado à segunda parte, mal disfarçado logo atrás, uma interferência visual que desvia a atenção. Na sessão a que assisti, dia 23/1, um outro elemento fez Chico Diaz ser esquecido em alguns momentos: o contrarregra, que parecia não fazer questão de ser invisível ao público, embora certamente tenha sido instruído a sê-lo.
Em 2006, um outro diretor – Aderbal Freire-Filho – adaptou para o teatro um texto de Campos de Carvalho, O Púcaro Búlgaro. Na ocasião, o que se viu foi um espetáculo memorável e irretocável. Não por acaso, Aderbal foi chamado para supervisionar a dramaturgia deste A Lua Vem da Ásia, mas seu colega Moacir Chaves não teve o mesmo êxito, infelizmente. Talentoso como é, Chico Diaz tem chance de dar à peça um melhor rumo ao longo das próximas apresentações, mas não poderá mudar o fato de que a montagem é conceitualmente fraca.


Discordo frontalmente das opiniões aqui manifestadas sobre a peça: “A Lua Vem da Ásia”.
Como hoje em dia qualquer um pode manter um blog e, principalmente, criticar o que bem entender, da forma que quiser; acho salutar que um qualquer, como eu, faça quando bem entender e da forma que quiser sua “crítica da crítica”.
Comecemos pelas impressões gerais, antes de analisarmos imprecisões, incoerências e erros de sintaxe:
O crítico-blogueiro parece ter afiado a língua nos segundos cadernos da vida, não é difícil encontrar neste texto expressões típicas, só que muito mal usadas, da Bárbara Heliodora: “A luz sempre bonita e cuidadosa de Renato Machado” (ok, substitua Renato Machado por Maneco Quinderé e aí temos a nossa Bárbara); “O cenário… bonito e adequado”… Cenário adequado? Existe comentário mais Bárbara de ser? O Problema, é que a Bárbara Heliodora, errando ou acertando, tem mais de 40 anos de estudo sério do teatro, é realmente culta e escreve, pelo menos corretamente. Já o blogueiro parece nunca ter lido nem livros fundamentais, como a Poética; caso contrário, não compararia um diretor com outro, erro primário de qualquer crítica.
Assisti à peça duas vezes; a trilha sonora, belíssima, sublime, é tão discreta que só poderia tirar a concentração de alguém que, como o crítico-blogueiro, considera, “A Lua Vem da Ásia”, o livro mais conhecido de um dos escritores mais pops que o país já teve (escreveu para o Pasquim, era adorado por Jorge Amado), Campos de Carvalho, um “texto difícil”…
Não entendo esse rebate da Roberta!
A própria Heliodora detona a peça, afirmando que o texto do Campos não se prestaria ou não se coadunaria com as feições narrativas do livro.
Outrossim por que cenário não pode ser criticado?
Que tem a ver Poética com ensino fundamental?
Quais são os erros de sintaxe: de colocação, de regência; de concordância?
Eu pessoalmente não gosto de obras surrealistas nem insanas
Bastam já as que vivemos na realidade:
O surrealismo da nossa democracia maqueada com patrulhamento ideológico e as loucuras dos políticos corruptos
Xandre, vc não vai responder ou rebater a Roberta? Só agora estou lendo seu texto.
De que erros ela está falando???
Márcia, fico cansado só em pensar em rebater. Não acho que valha a pena. O que eu tinha a dizer está dito no post. Se ela discorda, tudo bem. Opinião, cada um tem a sua. Já elegância, infelizmente, não é todo mundo que tem.
Sobre os erros, não sei quais são, não me dei o trabalho de procurar, sinceramente. Tenho meus motivos para desconfiar que não há erro nenhum. ; )
A lua vem da casa. Sabe de quem? De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! De aleeeÉÉXIA ! ÉÉÉÉÉHHH
Risíveis, todos vocês. Engraçado, só o ultimo..