
Uma peça de teatro pode ter humor acessível, de fazer o público rir o tempo todo, sem ser chula, artisticamente pobre nem apelativa. Uma prova disso é As noivas de Nelson, montagem da Cia. Paulista de Artes, com direção de Marco Antônio Braz, atualmente em cartaz no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro. O espetáculo tem texto de autor consagrado – Nelson Rodrigues – e potencial para fazer gargalhar tanto o sujeito sofisticado que não aplaude qualquer coisa quanto aquele que só compra o ingresso se o bilheteiro lhe assegurar que a peça é “de rir”.
Alcançar essa equação é vitória das mais suadas. O mérito, neste caso, é dividido entre o diretor e o elenco. Ambos souberam explorar o que há de cômico nas tragédias, na linguagem e nos personagens de Nelson Rodrigues, ousando transformar drama em comédia. Não poderia haver meio-termo: ou daria muito certo, ou muito errado. Deu certo.
A peça reúne 5 contos de A vida como ela é, coluna que Nelson manteve no jornal carioca Última Hora ao longo dos anos 50: Excesso de trabalho, Delicado, O sacrilégio, O pastelzinho e Feia demais. Todos envolvem as ideias de casamento e morte, refletidas nos fúnebres figurinos e cenário de Juliana Fernandes e na maquiagem de Edivaldo Zanotti, com todo o elenco caracterizado como defunto.
Os dez atores se revezam entre dezenas de personagens, saindo-se, em geral, muito bem, tanto nos papéis importantes quanto nos que são meras figurações. Mesmo quando os atores encarnam “personagens” sem fala e com cerca de apenas um minuto em cena, chama atenção o trabalho individual de cada um, ainda que haja outros tantos colegas no palco simultaneamente.
Braz, o diretor, recentemente premiado com o Shell pela direção de A alma boa de Setsuan, conduziu belamente essa grande “orquestra” de tantos talentos diferentes entre si, explorando cada oportunidade de humor no tempo certo, equilibrando momentos de histrionismo coletivo com outros em que um ou outro ator específico tem a oportunidade de brilhar sozinho. O ritmo do espetáculo, como um todo, é vertiginoso, mas a plateia nunca fica cansada. Pelo contrário: ao final dos 75 minutos de apresentação, paira o lamento por não haver um sexto conto de Nelson na peça.
Um único porém, sem muita importância: talvez o espectador fosse embora ainda mais feliz se o conto escolhido para encerrar o espetáculo fosse outro que não Feia demais, pois o final deste não é propriamente engraçado.

Assisti ao teatro em São Sebastião e amei toda a obra .
Pude perceber que os atores tinha algo desenhado no nariz,para sanar a minha dúvida ,gostaria de saber qual era objetivo deste sinal .Apenas por curiosidade de nossa parte.bjs em todos..
Erineia, vi faz tempo, não lembro dos detalhes direito. Mas, se não me engano, os atores tinham algodão no nariz, como se fossem cadáveres. Todos mortos.