A dupla de compositores Elton John & Bernie Taupin foi uma das dez melhores coisas que a música pop já teve. Então, é claro que eu gostei muito do show que Elton John fez segunda-feira na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro.
Músicas como Tiny dancer, Goodbye yellow brick road, Rocket man e Don’t let the sun go down on me são grandes canções e estavam todas no set list. Para estragá-las, só mesmo se a banda fosse ruim, se Elton John não tivesse mais voz ou se elas tivessem ganhado arranjos inferiores aos originais, mas nada disso aconteceu, pelo contrário.
Como Elton John é, sobretudo, um compositor de baladas, o tom do show foi morno na maior parte de suas duas horas e meia de duração. Não dá pra pular ao som de Daniel, Believe, Sacrifice, I guess that’s why they call it the blues, Sorry seems to be the hardest word, Candle in the wind, Skyline pigeon ou Your song, claro. Mas dá pra cantar junto, o que a platéia fez durante a apresentação de vários desses sucessos.
Os momentos de maior energia ficaram com The bitch is back, Honky cat e, mais pro final, Bennie and the jets, Sad songs (say so much), Philadelphia freedom, I’m still standing, Crocodile rock e Saturday night’s alright for fighting, canções que fizeram a alegria da platéia, cuja média de idade estava na faixa dos 40 anos.
Sim, faltaram alguns hits, como The one, Circle of life, Empty garden, Litte Jeannie, I don’t wanna go on with you like that, Someone saved my life tonight, Island girl, Blue eyes, Nikita, Can you feel the love tonight e I want love. Mas a verdade é que as obras-primas entraram quase todas. E que Elton John tem sucessos demais para caber num show só.
Entre os pontos negativos, destaco as animações toscas que enfeiavam o palco num telão gigante. Algumas eram interessantes ou singelas; outras eram vergonhosas. Também não entendo como Elton John, um pianista sublime que faz questão de tocar piano de cauda, permite que tecladinhos elétricos cafonas e setentistas sejam usados por sua banda.
Foto: Leonardo Aversa/O Globo
