
Na noite de domingo, vi um show de Madonna ao vivo pela primeira vez. Foi excelente, mas não me sinto capaz de avaliá-lo em detalhes agora. Para isso, eu teria de rever o show na tela da TV, com a edição fantástica que é de praxe nos DVDs da artista. Porque os shows da Madonna são de uma riqueza visual tão grande que é impossível apreendê-la completamente em um estádio lotado. Enquanto o telão mostra Madonna cantando, um show de tecnologia acontece no fundo do palco, um grupo de dançarinos realiza uma coreografia complexa num canto, outros bailarinos interpretam do outro lado, efeitos de luz varrem a platéia até o pagante mais mal localizado, vídeos elaborados e inéditos são exibidos nos telões, um carro adentra o palco e por aí vai. É impossível ver tudo. E as minúcias são incontáveis.
Por outro lado, nenhum DVD jamais será capaz de reproduzir com fidelidade a experiência de assistir a um show de Madonna no Maracanã ao lado de 70 mil pessoas. Ou o impacto visual do conjunto da obra. Ou a interação da artista com o público. Ou a potência do som.
1. Chuva: Não parou de cair, o que prejudicou bastante o show, pois Madonna e seus dançarinos acabaram se movendo com certo receio de escorregar e de se machucar. Em She’s not me, Madonna chegou a cair no chão. Nas músicas em que ela canta tocando guitarra, um homem ficava atrás da cantora, segurando um guarda-chuva para protegê-la. O toró tirou o humor de Madonna por um tempo, mas depois ela relaxou e entregou os pontos a São Pedro. Chegou até a fazer brincadeiras a respeito da chuva. Quando o públicou aproveitou uma brecha do show para cantar seu amor ao Flamengo, Madonna pegou carona na música da torcida e improvisou versinhos que pediam para a tempestade ir embora. E o público ficou em sua mão.
2. Tecnologia: O cenário do show é quase todo composto apenas de telões. Mas não são telões quaisquer. Eles se repartem em pedaços, mudam de formato, movimentam-se de formas diversas e têm uma definição incrível. É de cair o queixo.
3. Estrutura: É impressionante. Tudo é enorme. As duas letras M que ladeiam o palco são gigantescas e lindas. Duas torres de luz quase da altura do Maracanã estavam fincadas no meio da pista. O som não fez feio no estádio, embora houvesse um certo delay para quem estava mais para trás. Os efeitos de luz eram capazes de preencher o estádio inteiro. E foi surpreendente ver Madonna chegar de carro até a coxia. Sim, havia um carro circulando visivelmente nos bastidores. Fora o carro que roda em cena, como parte do show.
4. Beat goes on: Por alguma razão insondável, esta música nova não foi lançada como single. Funciona no álbum Hard candy e funciona mais ainda no palco, em performance animada com direito a um Rolls Royce branco em movimento no palco!
5. Arranjos: As músicas antigas e mais famosas foram apresentadas em novos e ótimos arranjos. Assim, Borderline encontrou sua vocação para rock básico, Hung up virou um rock mais pesado, Like a prayer ressurgiu como batidão eletrônico e Vogue foi reinventada num mash-up com a base rítmica de 4 minutes.
6. Into the groove: É um grande momento do show, com os famosos bonequinhos desenhados pelo saudoso Keith Haring dominando o cenário, numa explosão de cores básicas. Madonna entra no palco pulando corda, faz pole dancing, pula duas cordas simultaneamente enquanto dança e mostra que tem um pique inigualável.
7. Devil wouldn’t recognize you: A música, nova e desconhecida, cresce no palco. A tecnologia e a concepção artística fazem desse número um dos mais memoráveis do show: Madonna, coberta com um manto negro, canta sobre um piano enquanto uma grande tela cilíndrica a envolve completamente. O incrível é que essa tela, ao mesmo tempo em que exibe imagens de altíssima definição, é transparente, permitindo que se veja Madonna. Impressionante.
8. La isla bonita: A fusão deste antigo sucesso com música romena de tradição cigana, com violinos festivos e muita dança, funciona muito bem, animando o público de forma diferente, sem o apelo de música de boate.
9. Like a prayer: A música que mais animou o público. As pessoas pulavam e cantavam felizes. Pelo menos no Brasil, teria sido um encerramento perfeito, mas ainda havia algumas músicas por apresentar.
10. Here comes the rain again: É apenas um interlúdio, com um vídeo delicado e neo-psicodélico de computação gráfica sendo exibido enquanto dois bailarinos dançam. Madonna nem está no palco. Mas é algo bonito de se ver, além da surpresa de se ouvir ali uma música do extinto Eurythmics, com a voz original de Annie Lennox e instrumental modernizado.
11. Figurino: Nesta turnê, os figurinos de Madonna não são um ponto forte. Pelo contrário. As roupas são marcantes de tão esquisitas. Por que usar óculos em forma de coração? E o que dizer das imensas ombreiras no final? Da franjinha aos 50 anos? Do shortinho setentista? Dos óculos de aros grossíssimos na última música? Como assim?
12. Freak show: Do lado de fora do Maracanã, ambulantes vendiam os mais cafonas e estapafúrdios souvenirs com a marca Madonna. Nada se salvava. Tinha chifrinho com luz pisca-pisca, toalha de praia com design digno dos piores panfletos políticos, canecas de chope com a marca da Brahma transformada em Brahmadonna. O único artigo útil eram as capas de chuva descartáveis, que tornaram o show muito melhor para milhares de pessoas. Capítulo à parte era o visual de fãs mais chamativos, digamos assim: mulheres de 15 a 60 anos usando roupas que elas devem achar provocantes e/ou divertidas.
13. Projeções: As imagens projetadas nas telas não eram meros enfeites, mas clipes elaborados criados especialmente para o show. Um material diversificado e inspirador que é responsável pelo visual incrível do show.
14. Tranqüilidade: Pelo menos por onde passei, a paz reinava absoluta. Foi fácil de entrar e de sair, sem empurra-empurra, sem intimidade forçada com estranhos, sem confusão. Todo mundo queria apenas se divertir e curtir um bom espetáculo. A comida e a bebida vinham até você de forma relativamente civilizada. Os banheiros não tinham fila. E fazia frio, apesar de ser dezembro, o que colabora para esfriar os ânimos dos encrenqueiros.
15. Interação: Madonna conversou bastante com a platéia e exerceu com louvor seu poder de conduzir multidões. Chegou até a percorrer a fila do gargarejo oferecendo o microfone para quem quisesse cantar com ela. Em dado momento, como previa o roteiro, Madonna pediu que uma pessoa da platéia escolhesse uma música qualquer de seu repertório para ela cantar. Um tal de Fábio pediu Everybody, mas ela não quis cantar essa. Ela lhe deu outra chance, e ele tentou Express yourself, que ela cantou acapella ajudada pelo público.
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Cat, MADONNA!!!!!!!!!! :)
Pena que não vimos juntos, mas pelo menos vimos.
Foi demais, sim. Ficou marcado pra sempre!
Essas fotos são do show do Rio???
As primeiras fotos são do Rio. As demais não.
Adorei o texto, o show foi assim msmo, concordo com tudo e ‘Devil ‘ cresce MUITO no palco, fiquei impressionada com essa música no show. ‘ Into’ foi a melhor das ‘antigas’ e vc só esqueceu de falar do video de ‘Get Stupid’ que na minha opnião é o melhor video do show.
Abç!!!
Jazzca, que bom saber que achamos a mesma coisa!
Só não conordo muito com Get Stupid. Acho esse vídeo parecido demais com outros que a Madonna apresentou nas últimas turnês. É sempre um vídeo de protesto misturando imagens de problmas sociais e econômicos e de políticos ruins. Mesmice total, por isso nem citei.