Me irrita ver como mesmo a imprensa séria exagera, às vezes, na hora de tornar suas notícias mais chamativas. Li agora na versão online da Ilustrada a seguinte manchete: “Escritor condenado à morte é condecorado pela rainha Elizabeth“. Por fração de segundo, fiquei curioso para ver que história era essa. Achei curioso, estranho, que a rainha homenageasse um homem que, pelo visto, havia no mínimo matado alguém. Na fração de segundo seguinte, veio a luz: “Não! Não me diga que eles estão falando de Salman Rushdie!”. Quis muito estar enganado, mas não estava: a Folha estava mesmo se referindo a Salman Rushdie, o grande escritor, caçado pelo aiatolá Khomeini por sua forma de retratar Maomé no livro “Os versos satânicos”, além de ser autor de “Os filhos da meia-noite”, um dos melhores romances da literatura universal. É lamentável que o nome de Rushdie não seja suficiente numa manchete. E pior ainda é a isca sensacionalista do título, tentando fisgar não os admiradores do escritor, mas sim aqueles que fazem idéia de quem ele seja.
Este mundo sensacionalista
Junho 26, 2008 por freakshowbusiness
