A peça “Limpe todo o sangue antes que manche o carpete”, que encerrou ontem sua temporada no Solar de Botafogo, Rio de Janeiro, tem um certo experimentalismo (no bom sentido!), um toque não-realista na interpretação dos atores, dado pelo diretor, Vinicius Arneiro. E é sempre meio delicado falar do experimentalismo dos outros. Você não pode simplesmente dizer que é raso, tolo ou estéril, até porque, em teatro, tanto modismos quanto revoluções sempre podem começar de forma tímida.
Por tudo isso, digo apenas que não gostei de certas interferências estudadas que há nas atuações e de algumas marcações propositalmente ostensivas. Surtem efeito em alguns momentos, mas, no fim das contas, acabam gerando uma expectativa que é frustrada mais adiante. Por exemplo: é interessante ver os atores Bruno Ferrari e Pablo Falcão começar e recomeçar de formas diferentes a cena do primeiro encontro de seus personagens, mas é frustrante constatar, ao fim do espetáculo, que esse e outros experimentos não contribuíram para o desenvolvimento da trama. Acabam servindo mais para compensar a falta de profundidade do texto de Jô Bilac.
Além do mais, tais recursos têm um certo cheiro antigo de anos 80, talvez reforçado pelo visual preto e branco do simpático figurino de Julia Marini. Ou seja: como o experimento me fez olhar para trás, ficou difícil supor que ele pudesse evoluir para além da peça.
O texto é inspirado, nascido da banalização da violência e da busca amoral pelo sucesso. Faz-se graça com tais temas, e cabe ao espectador refletir a respeito ou não. Jô Bilac se saiu bem nos diálogos, mas nem tanto na costura entre eles, na estrutura, na construção de um discurso. Ou seja: embora as cenas, em geral, sejam boas e façam o público embarcar na viagem, o destino da mesma não é compensador, o todo não é redondo. Do elenco, quem tira melhor proveito dos diálogos é Tathiane Amaral.




Bom,
assisti essa peça e adorei….
Muito boa,os atores dela são maravilhosos…
Resumindo….AMEI muito boa..