Um dos objetivos de Chico Buarque e Paulo Pontes ao escrever a peça “Gota d’água”, montada pela primeira vez em 1975, era valorizar a palavra. Em teatro, muitas vezes, o texto fica em segundo plano, ofuscado por cenografia, figurino, maquiagem, luz, até pelos belos corpos dos atores e, hoje em dia, também por projeções. Em seu intuito de dar destaque à palavra, os autores fizeram a peça toda em versos. Tal recurso funciona mesmo em 2008, na nova montagem do musical, dirigida por João Fonseca e atualmente em cartaz no SESC Vila Mariana, em São Paulo. O elenco interpreta com naturalidade as rimas de seus diálogos, evitando que eles soem estranhos ao público contemporâneo e evidenciando a habilidade dos dramaturgos na escolha das palavras. Além disso, a montagem é discreta e eficiente em todos os seus recursos cênicos, para que o texto brilhe.
A peça tem dois alicerces. Um, herdado de “Medeia”, tragédia de Eurípedes, é a insensatez de sua protagonista, Joana, mulher cega de ódio, carência e paixão, abandonada por seu homem, Jasão, dez anos mais novo, que a trocou pela jovem filha de Creonte, o homem que manda na comunidade em que todos os personagens vivem. O outro alicerce, mais fraco, é a discussão social sobre a exploração e manipulação das classes desfavorecidas, um discurso que, embora tenha um sabor rançoso dos anos 70, continua vergonhosamente atual.
João Fonseca acertou ao suprimir personagens e enxugar o texto, mas talvez devesse ter sido mais rigoroso nesse ponto, pois a peça permanece mais longa do que poderia ser, com muitos trechos redundantes e desnecessários – uma redundância que é toda de Chico Buarque e Paulo Pontes, não de Eurípedes.
A decisão do diretor de musicar trechos que originalmente eram falados dá um maior dinamismo ao espetáculo, além de jogar luz sobre a riqueza melódica do texto. Porém, é freqüentemente difícil entender o que os atores cantam nesses momentos. O mesmo não acontece com as canções originais da peça, como “Gota d’água”, “Basta um dia” e “Flor da idade”, por elas terem adquirido vida própria na MPB e, talvez, também por terem sido pensadas desde sempre como canções. E é preciso ressaltar que João Fonseca incluiu músicas de Chico que não foram compostas para tal obra teatral, como “Partido alto” e “O que será (à flor da pele)” – esta, responsável por um dos momentos mais bonitos e de maior impacto da montagem.
O cenário de Nello Marrese merece menção, por sua simplicidade, eficiência e versatilidade. É um cenário que serve ao texto, sem intenção de brilhar. A discrição também é característica louvável da direção musical de Roberto Bürguel, do figurino de Natália Lana e da luz de Luiz Paulo Nenen.
No elenco, o destaque absoluto vai para Izabella Bicalho, capaz de fazer uma Joana que dá medo e pena ao mesmo tempo, contida nos gestos e furiosa na fala, com certo ar de bruxa. E a atriz ainda canta lindamente. São dela os momentos em que a platéia vem abaixo. Thelmo Fernandes está ótimo como Creonte, e Lucci Ferreira se sai bem como Jasão.
Para quem não conhece “Gota d’água”, esta é uma boa montagem para se ter um primeiro contato com a obra.


MUITO BOM!VCEIS FAZEM UM OTIMO TRABALHO; CHICO BUARQUE VAI CONTINUAR MARCANDO A VIDAS DE VARIAS PESSOAS. “””””MENOS A MINHA PQ Ñ SEI NADA SOBRE ELE””””””!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!BJS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!FELIZ 2008 PARA VCEIS
ODIEI VCEIS E O SEUS TRABALHO TANBÉM PRECISAM DE MAIS CRIATIVIDADE”"”((((()))))))))
Pamela, quando você conhecer a obra do Chico, vai se apaixonar. Espero.
Paty, quanto ódio no seu coraçãozinho!
Assisti a peça aqui no RIo e não concordo com a parte do texto que diz que é dificil entender ou ouvir algumas partes musicadas, o que a peça é longa de mais; aconselho assistir de novo, por puro prazer. Longo de mais é Os Produtores, essa sim é longa demais.
Espetacular, nem percebi que já havia passado 3 horas.É o genuíno prazer de ir ao teatro, se emocionar, chorar, rir…Amei!!!
gostei muito de conhecer mais sobre a peça
adoreii de paixão a peça gota d’agua….axchei os atoras em plena harmonia,emocionaram o público,a personagem JOANA,DEMOSNTRAVA EM SUAS CANÇÕES TODA DOR QUE ELA SENTIA EM PERDER SEU AMOR.E CHICO BUARQUEEEEEEEE,NEM TODO ELOGIO PODE DEESCREVER COMO ELE É ÓTIMO COMPOSITOR E ENTENDEDOR DOS SENTIMENTOS HIMANO E CARNAIS
gostei muito do filho do jasao ele e uma gracinha e tem um grande futuro o garoto