
Eu estava doido para ir ao cinema ver “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal”, só para constatar que o filme era uma bomba. Passados 19 anos do suposto encerramento da série, que todos pensavam ser uma trilogia, um novo filme do herói não poderia ser mais do que um caça-níqueis constrangedor, protagonizado por um Harrison Ford de 66 anos. Mas eu me enganei.
É verdade que o novo filme da franquia não surpreende. Afinal de contas, o arqueólogo mais famoso da ficção rendeu não apenas 4 filmes, mas também série de TV, desenho animado, histórias em quadrinhos e diversos jogos eletrônicos, do Atari ao Xbox. Além do mais, vivemos os tempos de arrasa-quarteirões como “Homem de Ferro”, em que toda mentira é concretizada da forma mais crível possível na tela. No entanto, o diretor Steven Spielberg acertou de novo. Por quê?
Para começo de conversa, Indiana Jones foi concebido como uma homenagem aos filmes de aventura dos anos 30 e 40, época em que histórias assim eram exibidas em capítulos nos cinemas, com valores morais bem definidos, mocinhos invencíveis embora humanos, cenários exóticos, vilões cruéis, situações de perigo, cenas de tirar o fôlego e um toque de romance. Por isso que todos os filmes do herói, desde o primeiro, “Indiana Jones e os caçadores da arca perdida” (1981), têm um visual antigo, fotografia amarelada e uma ingenuidade de outros tempos. São revivals realizados com as mais novas tecnologias. E assim é “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal”. Por que esperar do novo filme mais do que um roteiro eficiente, diversão, ritmo, som envolvente e efeitos especiais de primeira?
O filme tem tudo isso. Assim como seus predecessores, é empolgante, cravejado de mentiras sensacionais, hábil em prender a atenção do espectador, interessante para todas as idades, além de deliciosa e propositalmente inverossímil em muitos momentos. Essa nova aventura não acrescenta nada ao currículo de Spielberg, à vida do público, à história do cinema, mas cumpre com louvor a missão a que se propõe: entreter.
E quanto ao fato de Harrison Ford ser hoje um herói da terceira idade, cabe dizer que, no filme, isso é um detalhe coerente com o roteiro e irrelevante para a qualidade da ação.

Concordo em gênero, número e grau. Acho que um herói da terceira idade é um outro resgate do filme.
Quando li seu texto sobre o filme, pensei: “Será que ela pirou ou é isso mesmo?”. Era aquilo mesmo, ufa! rs