“O dragão” é, desde já, uma das melhores peças do ano. Em cartaz no Espaço Sesc, no Rio de Janeiro, o novo trabalho do Amok Teatro merece nota dez em quase todos os quesitos. Merecem louvor, em especial, a interpretação pungente de Stephane Brodt, o cenário mais que eficaz de Ana Teixeira (também diretora), a bela luz de Renato Machado, a música incrível de Carlos Bernardo.
Esta foi a segunda vez que chorei no teatro. A primeira foi na inesquecível montagem da Cia. PeQuod para “Peer Gynt”, de Ibsen, na lindíssima cena da morte da mãe do personagem-título. Agora voltei a ficar com os olhos marejados, desta vez vendo Stephane interpretar um judeu que ficou paraplégico por conta da explosão de um homem-bomba palestino. Nessa cena, o ator interpreta de forma admirável um texto que já impressionaria pelo simples fato de ser o relato de uma história verídica.
O elenco interpreta apenas relatos reais de judeus e palestinos vítimas da guerra sem fim que travam no Oriente Médio.
O espetáculo foi construído de modo a parecer imparcial, mas o Amok não conseguiu. Ou não quis. A verdade é que, embora Stephane seja judeu, a peça tende muito ligeiramente, de forma quase imperceptível, para o lado palestino. E isso não é um demérito. Assista de coração aberto, pois não é um espetáculo sobre política, religião ou etnias. É sobre a dor.
