A melhor surpresa de “Hard candy”, novo álbum de Madonna, é justamente o fato de a cantora não tentar surpreender, o que pode ser muito saudável. Sabe como é, ela sempre procura reinventar a pólvora a cada lançamento, e desta vez havia indícios de que ela ressurgiria descaracterizada e rendida às facilidades mercadológicas do hip hop e do r’n’b fáceis, como uma Nelly Furtado qualquer, mas nada disso aconteceu. O que acaba de sair do forno é um disco absolutamente pop, irresistível para as pistas de dança, com produção de primeira, refrãos que grudam e letras bobinhas. Ou seja: mais Madonna do que isso, impossível.
O curioso é notar que Madonna não faz um disco tão anos 80 desde… os anos 80, claro. Estão lá a teclalhada pesada, as palmas eletrônicas e até o apito! Em geral, a sonoridade passa pelo groove disco de 1978, pelo synthpop de 1984, pelo Miami bass de 1989 e pelo que há de mais atual. Mas ainda não foi desta vez que Madonna fez um disco bom do início ao fim. Sempre tem uma farofada no meio…
1. Candy shop: Com batidas tribais irresistíveis, é a carta de intenções do disco. Madonna literalmente convida as pessoas a se acabarem na pista de dança. Quando ela canta “sticky and sweet” repetidamente, talvez seja um aviso de que o que vem por aí é uma seqüência de músicas grudentas e adocicadas.
2. 4 minutes: É o arrasa-quarteirão do álbum. Você já deve ter ouvido. Afinal de contas, é oficialmente a música mais tocada do mundo esta semana.
3. Give it 2 me: Será o segundo single. Difícil ficar parado. Animadíssima. Feita para bombar nas pistas.
4. Heartbeat: Começa tão oitentista, que dá calafrio! Mas é legal também. Se tivesse sido lançada em 1989, estaria todo mundo fazendo passinho ao som desta na pista.
5. Miles away: Feita para as rádios de outros tempos. As batidas desaceleram, mas continuam pesadas. Bem boazinha. Termina num clima meio Pet Shop Boys. Poderia perfeitamente estar no álbum “Music” (2000).
6. She’s not me: A introdução é meio Duran Duran dos bons tempos. A guitarra é suingada como a de Nile Rogers, do Chic, o homem que produziu o álbum “Like a virgin”. Disco music anos 2000.
7. Incredible: Ai, que música chata! Quebrou a corrente. Tudo estava indo tão bem… A batida tribal dá a entender que será mais uma música boa, mas não é. Ela desanda de forma inacreditável. Vai ver que é por isso que a música tem esse nome..
8. Beat goes on: Uma das melhores faixas. É uma pequena jóia do pop. Se você comparar esta versão final com a que vazou na internet no ano passado, terá uma aula de produção musical, tamanha a diferença entre as duas, embora sejam a mesma música.
9. Dance 2night: É impressionante como Madonna às vezes consegue olhar para o passado e o futuro ao mesmo tempo. Esta faixa é muito boa, moderna, e nos faz lembrar de alguns momentos superados do pop.
10. Spanish lesson: Se você não entende inglês nem espanhol, talvez goste. Se entende, vai rir ou pular de faixa, porque a letra é uma coisa… Madonna dando aula de espanhol. Título auto-explicativo.
11. Devil wouldn’t recognize you: Se parece muito com “What goes around… comes around” e “Cry me a river”, de Justin Timberlake, mas é uma boa quase balada.
12. Voices: Não sei o que dizer desta. Difícil de explicar. É boa, mas quase escorrega. É calma, sem ser balada. É marcada com batidas eletrônicas, mas termina com piano, violão, violino e… sinos. O álbum termina num clima muito diferente de tudo que veio antes.
