Bonitinho, simpático, leve, gracioso… São adjetivos assim que se podem associar a “2 números”, peça do Teatro Portátil em cartaz na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro. É tudo muito simples, delicado e despretencioso. Achou os adjetivos muito bobinhos? Pois é.
A expressividade das máscaras e a manipulação do boneco usado em cena merecem nota 10. São os pontos altos. Já a dramaturgia é tão minimalista quanto o cenário e o figurino, propositalmente quase nulos.
Saí sorrindo, até porque os manipuladores resolveram fazer o boneco escalar meu corpo rumo ao meu ombro esquerdo para pedir aplausos (eu estava na primeira fila). Saí também com a certeza de que não vai demorar para eu esquecer que vi essa peça. Afinal de contas, já está velha essa atitude do tipo “Veja como é possível fazer teatro com bem pouco!” E o recurso de mostrar um boneco que “tem consciência” de que é manipulado é explorado de forma muito mais profunda pela Cia. PeQuod em “Filme noir”.
