“Sangue negro” (“There will be blood”), o último filme de Paul Thomas Anderson, é excelente. Mas não é para todos os gostos, porque requer paciência. Tem que esperar o diretor construir lenta e pacientemente o protagonista da história, o prospector de petróleo Daniel Plainview, magistralmente interpretado por Daniel Day-Lewis. O personagem é tudo no filme. É preciso acompanhar cada nuance de sua trajetória para se ter noção de sua dimensão, e também para o final fazer sentido.
É impressionante ver como Day-Lewis é bom no que faz. Sem dúvida, é um dos melhores atores que o cinema já teve. Merece ser eternizado como sinônimo de ator perfeito, como aconteceu a Laurence Olivier. Suas interpretações são sempre espetaculares e na medida certa.
As melhores cenas de Day-Lewis nesse filme são aquelas em que ele contracena com Paul Dano, que faz o jovem pastor. É nesses momentos que o filme expõe um de seus maiores trunfos: o confrontamento entre picaretagem e religiosidade, entre fé e materialismo.
