
É bonzinho esse tal de Nação Fast Food, filme de Richard Linklater, diretor de Escola do Rock e Antes do Amanhecer. Mas não é nada de mais. No futuro, quem tiver assistido ao filme agora provavelmente vai se lembrar apenas da cena real que mostra como vaquinhas simpáticas se tornam hambúrgueres ricos em coliformes fecais nas chapas das grandes redes de lanchonetes.
A trama começa com Don Anderson, diretor de Marketing de uma rede fast-food, tentando descobrir por que a carne que sua empresa oferece aos consumidores está contaminada. Para chegar à resposta, o filme leva o espectador a um passeio pelas mazelas e contradições do capitalismo. Vemos um mundo que, na busca desenfreada pelo lucro, desrespeita a vida, a dignidade e a ética.
O caminho é longo. Passa por pessoas morrendo na travessia da fronteira norte-americana, trabalhadores mutilados em serviço, mulheres se prostituindo em troca de favores, consumo de drogas motivado pela miséria, corrupção. O ser humano é capaz de muita coisa por dinheiro, seja uma ninharia ou uma fortuna.
Embora o filme seja uma crítica, não é panfletário nem maniqueísta, felizmente.
