Para quem quer ir ao teatro assistir a uma peça bem leve e que faça rir, “Farsa” é uma boa pedida, dirigida por Luiz Arthur Nunes. É indicada também àqueles que desejam conhecer um pouco melhor o gênero teatral que dá nome ao espetáculo, caracterizado pelo riso fácil, personagens caricatos e enredos bastante simples. Ou seja: é tudo muito direto e despretensioso, entretenimento puro. E embora as farsas existam há pelo menos 500 anos, elas exercem grande influência no humor de hoje, identificável em diversos tipos de obras cômicas, o que ajuda a conquistar o grande público. Talvez esteja justamente na simplicidade o segredo de sua histórica eficácia.
Através dos tempos, farsas menos ou mais inteligentes foram criadas e montadas aos milhões pelo Ocidente. Mas as quatro farsas que compõem o espetáculo em questão, em cartaz no Teatro Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro, foram escolhidas com cuidado. São elas: “Os faladores”, atribuída a Miguel de Cervantes; “O urso”, de Anton Tchekhov; “O médico saltador”, de Molière; e “Os ciúmes de um pedestre ou O terrível capitão do mato”, de Martins Pena. Ver montadas hoje peças curtas, farsescas e pouco conhecidas desses autores tão importantes já vale a ida ao teatro. No palco, porém, elas se sucedem entremeadas de números musicais simplórios, que servem apenas para pontuar o fim de uma peça e o início de outra.
Na apresentação a que assisti, as atuações foram irregulares. Se, por um lado, Sérgio Marone estava fraco como o falso negro Alexandre, de “Os ciúmes de um pedestre”, por outro, ele estava bem como nunca no papel do fazendeiro falido Smírnov, de “O urso”. Marcos Breda deixou a desejar na pele de Sarmento, o marido insatisfeito de “Os faladores”, mas foi o dono do show no papel-título de “O médico saltador”, com uma interpretação burlesca e acrobática. Bianca Byington e Luciana Braga conduziram suas personagens com dignidade. Claudia Ohana esteve insuficiente em todos os seus papéis. E Mario Borges foi o único a se sair muito bem em todos os momentos.
Parte do cenário de Hélio Eichbauer – os tecidos finíssimos estampados com ilustrações antigas relacionadas às peças, que forram todo o espaçocênico – é lindo e adequado; parte – os módulos de madeira sobre rodízios – é feio, pobre e destoante. Os figurinos de Coca Serpa e a luz de Paulo César Medeiros são bons.
