Não valeu a pena ter visto a peça “Entropia”, em cartaz até ontem no CCBB do Rio. O texto de Rodrigo Nogueira não leva nada nem ninguém a lugar nenhum. O mote é bom, uma reunião de sábios com o objetivo de discutir a criação de uma cidade ideal. Ao longo do processo, vêm à tona questões como “Como conciliar utopia e realidade?” e “Como ser individual sem ferir o coletivo?”. Mas as discussões são rasas e os personagens são grandes nadas.
Com matéria-prima tão pobre em mãos, atores (destaque para Miwa Yanagizawa), cenógrafo (Sérgio Marimba), figurinista (Ney Madeira) e iluminador (Renato Machado) não conseguem brilhar como poderiam. Só não dá para entender o que levou o diretor Marcelo Mello a encabeçar esse projeto tão demasiadamente niilista. Para ele, não há perdão.
Eu já tinha achado o espetáculo bastante pretensioso, mas a má impressão piorou depois que li o texto do programa. Nele, está listada uma infinidade de pensadores como fontes de pesquisa para a realização da montagem, gente do nível de Foucault, Barthes, Baudrillard, Benjamin, Nietzsche e Marx. Juro que fiquei besta! Leram esses caras todos para chegar àquele resultado???? Acabei achando tudo ainda mais pretensioso e vazio. O programa, cheio de citações eruditas, tem muito mais conteúdo que a peça em si.

[...] se destaca. No elenco, ninguém tem melhor rendimento que Miwa Yanagizawa (vista recentemente em “Entropia”), sendo que Adriano Garib também se sai bem, Julia Lund rende mais em uns momentos e menos em [...]
Quero pedir a gentileza de registrar aqui minha profunda lamentação, ao ver que esse pequeno comentário, já que não posso chamar de crítica, julga de forma imatura um trabalho tão sério como entropia, onde ao atácá-lo sem nenhum fundamento concreto, com olhos pueris não consegue perceber a real importância desse projeto tão sério dentro do quadro cultural carioca e de uma realidade mundial. é de se lamentar que já se incorporou a arte atual figuras que simplesmente a seu bel prazer ferem a dignidade e o respeito a uma obra criticando-a sem ao menos ter o mínimo de conhecimento do que sejam as dificuldades de se fazer teatro, pricipalmente ao se tentar popularizar um teatro visto como “pertencendo ‘a elite”, que dirá meu caro, visto sua crítica no mínimo desproporcional, já que o mínimo a ser exigido a quem vai a qualquer espetáculo é que se tenha ao menos uma correta reflexão e não simplesmente criarmos uma´comunidade viciada em apenas criticar por criticar, por elementos anômalos que não se abrem com o mínimo de generosidade a qualquer experiência seja de que ordem for essa pessoa que não se abre a uma obra é a mesma que não se abre dentro de um corpo social, ou dentro de uma família, e se fecha em abstrações que não levam a nada já que o sinônimo para o que vivemos hoje é estabelecer um contato generoso com a vida, incluindo toda esfera humana. peço que olhe para dentro de si e se recorde da crítica feita ao grande gênio Samuel Beckett, onde um crítico imaturo, assim como você, nosso aspirante em questão, declara que beckett não era escritor, sua ação interrompeu o curso do que viria a se tornar uma das maiores expressões artísticas mundiais. sendo assim deixo um grande beijo no seu coração e anseio receber um convite para assistir a algum trabalho seu. grato a Freakshowbusiness e a Alexandre Santos por este espaço aberto a reflexão.
Diogo Salles
Diogo, qualquer pessoa que suba num palco quer ser vista e está exposta a elogios e críticas, aplausos e vaias. E qualquer espectador tem o direito de expressar suas opiniões sobre o que assistiu. É ótimo para o país – mais que isso, para a Humanidade – que continue assim. Se não for, caímos no tal elitismo que você falou.
Nenhuma obra de arte é boa ou ruim. Depende de quem vê. E assim como toda obra de arte deve ser respeitada, toda opinião sobre ela também deve.
Por tudo isso, fico contente por você ter deixado sua opinião aqui. Porque uma opinião solitária, de quem quer que seja, reflete apenas a realidade de um indivíduo, não é um painel de percepções, representa muito pouco.
Sua reação é compreensível, visto que você é um dos atores da peça. Mas não se preocupe tanto. Isto é apenas um blog independente, como milhões de outros. Não é a capa do Segundo Caderno nem da Ilustrada. Não representa a opinião pública, apenas a minha própria.