Meu quadro preferido é este: Les raboteurs de parquet, óleo sobre tela do francês Gustave Caillebotte, pintado em 1875, cem anos antes do meu nascimento. Esses trabalhadores dedicados já são meus velhos amigos e agora estão deixando tudo prontinho nesta minha nova casa, meu primeiro blog.
Não sei explicar por que gosto tanto dessa obra. A primeira vez em que a vi foi na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo, a ocupar meia página de uma matéria escrita por Paulo Roberto Pires. Qual era a pauta mesmo? Não faço idéia. Caillebotte nem é um nome muito conhecido… Só sei que me apaixonei por essa luz que atravessa a janela para revelar o talento de um grande artista.
Na época, início dos anos 90, eu não poderia imaginar que o autor da matéria viria a ser meu professor. Nem que eu escreveria no mesmo caderno daquele jornal. Nem que eu teria oportunidade de ver meu quadro preferido ao vivo.
Em 1999, a caminho de Paris, descobri que o quadro pertencia ao acervo do Musée d’Orsay. Fiquei muito empolgado com a chance de vê-lo diante de mim, pendurado numa parede. Mas quando eu cheguei no museu, dei de cara com a parede vazia e um aviso de que a obra tinha sido emprestada para uma exposição em outro país. Dá para acreditar? Para compensar, saí de lá com reproduções do quadro em cartão postal e pôster. Somente em 2001 eu consegui vê-lo, por ocasião de outra viagem. Achei pequeno. Reação típica!
